Mitos e verdades sobre fazer intercâmbio depois dos 40

Tempo de leitura: 5 minutos

*Post escrito por Valtemir Soares Jr. (valtemir.soares@informationplanet.com.br). Formado em jornalismo e relações públicas, pós-graduado em comunicação empresarial e atualmente franqueado da Information Planet em Curitiba. Viveu na Espanha e Austrália, como intercambista, e Chile-Argentina, como profissional de multinacional.

Há três anos e meio venho assessorando pessoas a fazer o caminho que eu mesmo fiz ao sair do Brasil para fazer um intercâmbio para Austrália. E nessa atividade diária uma cena tornou-se comum durante o atendimento aos clientes: o espanto deles ao saber que uma das minhas experiências de intercâmbio se deu quando eu tinha 43 anos!

E não raro vem a pergunta:

“É possível fazer intercâmbio nessa idade?”

Sim, é possível e meu caso é a prova disso.

Mito: Não existem restrições de idade para fazer Intercâmbio

idade para fazer intercâmbio
Sydney e seus cenários: só conhecidos via livros e TV, viraram realidade…

Podemos de cara citar um primeiro mito sobre intercâmbio na maturidade: Não existem restrições por questões etárias, pois a única limitação é psíquica – ou seja, está nas crenças internas de cada pessoa.

Vivemos em uma sociedade na qual há convicções culturais de que depois de certa idade muitas coisas já não são possíveis ou adequadas para serem feitas.

A lista dessas situações ditas “proibidas” é enorme e entre elas está o intercâmbio.

Só que não!

A experiência de viver em Perth

intercâmbio aos 40
O intercâmbio e o presente de ganhar uma família australiana.

Ao chegar a Perth, na Austrália, para melhorar meu inglês visando fazer uma pós-graduação de gestão de marcas, passei pelos cursos do inglês geral e dos preparatórios aos exames de proficiência IELTS e Cambridge.

Veja também: 4 vantagens de fazer um intercâmbio para estudar na Austrália

Nas diferentes turmas que eu frequentei, para minha surpresa, eu não era o único “tiozão” da classe.

Havia gente do Japão, Suécia, Venezuela, China, Taiwan, Bélgica e outros países aproveitando o momento da vida para acrescentar um conhecimento que, por diferentes motivos, faltava em seus currículos.

Todos eles com seus mais de 40 anos.

Um intercambista aos 40 é um intercambista maduro

Um brasileiro se descobrindo em Perth – a metrópole mais isolada do mundo.

Diante dessa situação, podemos constatar uma primeira verdade: de ser um intercambista maduro. A experiência acumulada não significa que já estejamos prontos e acabados.

Sempre há mais por conhecer e fazer.

Meus colegas eram profissionais com muito tempo de estrada e vinham de áreas como engenharia, medicina, administração, direito, publicidade e até uma especialista em nanotecnologia.

Todos com um ponto em comum:

Tomaram a decisão de parar a vida cotidiana por um tempo e ir atrás de uma reciclagem profissional (via estudos) e pessoal (via autoanálise).

Duas coisas que realmente um intercâmbio permite fazer à medida que te abre inúmeras possibilidades de cursos e te dá oportunidade de ver o mundo por outras óticas.

Leia também: 6 maneiras de um intercâmbio transformar você

Mas por mais que eu exponha esses aspectos, as pessoas ainda duvidam da viabilidade de um projeto no exterior nessa altura do campeonato. E vem a enxurrada de dúvidas:

“Estarei fora do mercado e talvez não me recoloque na volta”.

Mito, pois no retorno o profissional terá diferenciais e será melhor avaliado num processo de seleção – sem falar que gente experiente tem mais chances de iniciar uma carreira internacional no país que escolheu estudar.

Outra:

“Ficarei longe de amigos, amores e família”

Verdade à primeira vista, mas mito se a leitura for de que essas relações estão em risco com a distância, pois as pessoas continuarão aqui e tanto você quanto elas aprendem a dar mais valor aos laços que os unem.

Além do que, em muitos países, é possível levar a família durante o intercâmbio (eu mesmo fui com a minha esposa).

Uma coisa é certa….

De tudo, no entanto, sobra uma verdade verdadeira. Quem passa pela experiência de um intercâmbio, seja na juventude ou na maturidade, se dá de presente a chance de evoluir, de tornar-se uma pessoa melhor em muitos aspectos.

Ilustra esse ponto a história de uma colega de curso em Perth: médica, 38 anos, vinda de um país oriental onde as mulheres não têm voz e que sempre era humilhada por outro colega vindo de um país onde ele, como homem, tinha primazia de gênero.

Habituada a ver as ocidentais exporem suas opiniões durante as aulas, um belo dia ela deu seu grito de independência.

No que o rapaz tentou lhe tirar a palavra, ela deu um forte tapa na mesa e, com o dedo em riste, lhe disse:

“Nunca mais faça isso, você não tem esse direito!”  

Estava estabelecido ali para ela um novo marco de autoconfiança e autoestima.

Posto tudo isso você pode se perguntar: É fácil? Mito...

Fácil não é e há inúmeros desafios pessoais e práticos para levar a cabo essa experiência, principalmente se for um intercâmbio de longo prazo – acima de 6 meses, por exemplo.

Mas nada que um bom planejamento e, se for o caso, uma assessoria profissional não resolvam.

E aí 3 pilares fundamentais precisam estar presentes:

  1. Ter muita vontade de ir (e se preparar psicologicamente para);
  2. Estabelecer o objetivo do intercâmbio e os recursos necessários para tanto;
  3. E, principalmente, estar aberto ao novo e adaptar-se ao ambiente geográfico, social e cultural do país escolhido.

Depois é só colher os frutos dessa gratificante experiência vivida.

Aventurar-se vale a pena – e isso é outra verdade verdadeira. Te asseguro!

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2 Comentários


  1. Sem dúvida não há idade para fazer intercâmbio. E a experiência é sensacional. Passei apenas 1 mês em Londres, uma época, estudando inglês, e foi uma das melhores experiências da minha vida. Agora, tô chegando pertinho dos 40 e já pensando em um novo intercâmbio!
    Abraços

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  2. Muito legal, já conhecia e curtia essa história. Ela inclusive me incentivou a encarar um intercâmbio agora, na soleira dos 50.

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